[Artigo] O mistério do sagrado Tríduo (Parte 3): o Sábado Santo e a liturgia do Sepulcro

Vigília Pascal

Pe. Marcos Vinicius Mattke, IBP

Introdução

O Sábado Santo é o dia de silêncio litúrgico por excelência no ciclo anual da Santa Romana Igreja. É o dia do repouso do Senhor no sepulcro, o grande Sábado — o Sabbatum Sanctum do rito romano tradicional. Neste dia, a Igreja vela junto ao Santo Sepulcro, unindo-se à Santíssima Virgem Maria que, em sua fé inquebrantável, esperava a ressurreição de seu Filho. Enquanto os apóstolos estavam dispersos e temerosos, a Mãe de Deus permanecia firme na esperança; e a Igreja, tomando-a por modelo, guarda a mesma vigília silenciosa, na expectativa confiante da Ressurreição.

Do Ofício de Trevas celebrado ainda na noite às cerimônias da grande Vigília Pascal, toda a liturgia deste dia conduz a alma fiel numa progressão admirável: do silêncio do sepulcro ao jubiloso canto do Alleluia, da escuridão da morte à luz resplandecente da Ressurreição.

O Ofício de Trevas: Matinas e Laudes

O Ofício da Noite do Sábado Santo apresenta continuidade com os dias anteriores do Tríduo Sagrado, conservando a estrutura peculiar destes dias santos. Os salmos são recitados sem antífonas, os versículos sem respostas, as lições sem bênçãos e sem o Tu autem; o Gloria Patri continua sendo omitido, e as velas são apagadas progressivamente no candelabro triangular.

Contudo, já desde o primeiro noturno, nota-se a gradual transição espiritual operada pela Santa Igreja: do luto fúnebre à esperança da ressurreição.

Primeiro noturno

O primeiro salmo (Sl. IV), utilizado diariamente no Ofício de Completas, recorda aqui o repouso confiante de Cristo no sepulcro: «In pace in idipsum dormiam et requiescam» — «na paz me deitarei e repousarei». Não se trata de um repouso de derrota, mas de confiança absoluta no desígnio do Pai.

O segundo salmo (Sl. XIV) celebra o descanso reservado ao homem justo. A Igreja o aplica a Cristo, o Justo por excelência, que «passou fazendo o bem» e agora repousa das obras de sua vida terrena.

O terceiro salmo (Sl. XV), composto por Davi durante seu exílio, constitui uma profecia explícita da ressurreição do Messias. São Pedro o citará no dia de Pentecostes para demonstrar aos judeus que já estava profetizado que o corpo do Messias não conheceria a corrupção no sepulcro.

Segundo noturno

O quarto salmo (Sl. XXIII) já anuncia a entrada triunfal que o Filho de Deus fará no céu após despertar do sono da morte: «Elevai, ó portas, os vossos frontões, e erguei-vos, ó pórticos eternos, para que entre o Rei da glória!»

O quinto salmo (Sl. XXVI), que a Igreja cantou na véspera para expressar o sentimento de confiança que não abandonou o Messias durante as provas de sua Paixão, retorna hoje para anunciar sua próxima libertação. A Igreja não escolhe para antífona o versículo em que Cristo lamenta as falsas testemunhas que depuseram contra Ele; insiste, antes, naquele em que Ele manifesta a esperança de logo chegar à «terra dos viventes».

O sexto salmo (Sl. XXIX) anuncia que o divino prisioneiro da morte não tardará a sair dos lugares sombrios. O profeta mostra o luto prolongando-se ainda até a tarde, e a alegria que deve irromper pela manhã.

Terceiro noturno

O sétimo salmo (Sl. LIII), que a Igreja cantava ontem ao pensar nas pérfidas perseguições dos judeus contra o Messias, retorna hoje para anunciar que o triunfo do Filho de Davi não tardará, porque Deus tomou em suas mãos a sua causa.

O oitavo salmo (Sl. LXXV) foi empregado pela Igreja na Quinta-feira Santa, expressando a iminente vingança de Deus sobre os inimigos de seu Filho. Reaparece hoje, mostrando-nos o Messias adormecido em paz em Sião. Dentro em pouco, Ele sairá do túmulo; ao despertar, seus adversários, que acreditavam tê-lo em seu poder, acharão suas mãos vazias.

O nono salmo (Sl. LXXXVII), que ontem fazia parte do Ofício da noite, é novamente empregado hoje. Nele ouvimos Cristo pedir a seu Pai que se digne retirá-lo de entre os mortos: «Como um homem sem socorro, livre entre os mortos.»

Laudes

Em Laudes, a Igreja mantém o clima de expectativa e de luto contido que se aproxima gradualmente da esperança. O primeiro salmo é o Miserere (Sl. L).

O segundo salmo (Sl. XCI), indicado por seu título no saltério como devendo ser cantado no dia do sábado, celebra a magnificência do Senhor em suas obras, a vaidade dos desígnios dos pecadores, o triunfo assegurado do Justo por excelência e a bem-aventurada esperança dos que o seguem.

O terceiro salmo (Sl. XLIII) é aquele mesmo do qual Santo Agostinho nos dá, em nome da Igreja, o comentário oficial nas lições do segundo noturno, nestes dias de Sexta-feira e Sábado Santos.

O cântico de Ezequias, que a Igreja emprega na terça-feira em Laudes, é substituído hoje pelo do Deuteronômio, próprio do dia de sábado. O profeta Ezequias, implorando a Deus, em seu leito, o retorno à vida, é tipo de Cristo no túmulo, suplicando a seu Pai para devolvê-lo rapidamente à luz do dia.

O último salmo (Sl. CL) do ofício de Laudes é também o último do Saltério, resumindo no louvor a última palavra de todas as coisas.

A manhã do grande Sábado

A noite passou sobre o sepulcro onde repousa o corpo do Homem-Deus. Se a morte triunfa no fundo desta gruta silenciosa, se ela mantém em seus laços aquele que dá a vida a todos os seres, seu triunfo será breve. Os soldados podem vigiar a entrada do túmulo — não reterão o divino prisioneiro quando Ele resplandecer em seu triunfo. Os santos Anjos adoram, com profundo respeito, o corpo inanimado daquele cujo sangue vai «pacificar o céu e a terra».

Este corpo, separado da alma por um curto intervalo, permaneceu unido ao Verbo divino; e a alma, que cessou um momento de animá-lo, tampouco perdeu sua união com a pessoa divina do Verbo. A divindade permanece unida mesmo ao sangue derramado no Calvário, sangue que deve reentrar nas veias do Homem-Deus no momento de sua iminente ressurreição.

Eis o quadro teológico no qual se abre a grande Vigília Pascal — ponto culminante do ano litúrgico e coroamento de todo o Tríduo Sagrado.

A Vigília Pascal

A Vigília Pascal é a «Mãe de todas as Vigílias sagradas», como a chamava Santo Agostinho. Nesta noite santa, a Igreja celebra a passagem de Cristo das trevas da morte à luz da ressurreição; e esta passagem — Pascha — torna-se também a de todos os fiéis, particularmente dos catecúmenos que, pelo batismo, passam das trevas do pecado à luz da graça.

A celebração segue uma estrutura grandiosa e solene, dividida em partes que se complementam maravilhosamente: primeiro, a bênção do fogo novo e do círio pascal com o Precônio Pascal; em seguida, a leitura das doze profecias; depois, a bênção da água batismal e a administração do batismo; por fim, a Missa Pascal, primeira celebração do Santo Sacrifício no tempo pascal.

Esta estrutura remonta aos primeiros séculos da Igreja. Originalmente, a vigília durava toda a noite, desde o entardecer do sábado até a aurora do domingo, quando se celebrava a Missa da Ressurreição. É uma liturgia riquíssima que exprime de modo admirável o mistério da redenção.

A bênção do Fogo Novo e dos grãos de incenso

Desde toda a antiguidade, o dia de hoje transcorria sem o oferecimento do divino Sacrifício. A Igreja não o celebrava porque a sepultura de Cristo é a continuação de sua Paixão; enquanto seu corpo repousa inanimado no túmulo, não convém renovar o mistério no qual Ele é oferecido glorioso e ressuscitado.

A primeira parte da solene Vigília é, portanto, a bênção do fogo novo e do incenso. O fogo representa Cristo; o incenso representa os perfumes que Santa Maria Madalena e as outras santas mulheres prepararam para embalsamar o corpo do Redentor. O incenso está disposto em cinco grãos ou lágrimas, simbolizando as cinco chagas gloriosas de Cristo.

O celebrante e seu cortejo saem da Igreja para se dirigir ao lugar onde está a credência, junto da qual arde a fogueira. Esta saída representa que o sepulcro de Cristo — o lugar de onde Ele deve ressuscitar — está situado fora das portas de Jerusalém.

Chegando diante destes símbolos, o celebrante abençoa primeiramente o fogo: «Ó Deus que por vosso Filho, pedra angular, comunicastes aos fiéis o fogo de vossa luz, santificai este fogo novo tirado da pedra para nosso uso, e concedei-nos que sejamos de tal modo inflamados com desejos celestes durante estas festas pascais, que possamos com pureza de coração chegar às festas da luz eterna.»

Em seguida, abençoa o incenso: «Que a abundância de vossa bênção desça sobre este incenso, e vós, que sois o regenerador invisível, dignai-vos acender esta luz noturna, para que não só o sacrifício que é oferecido esta noite brilhe pela secreta infusão de vossa luz, mas também, em qualquer lugar onde for levado algo deste mistério de santificação, sejam expulsos os enganos da malícia diabólica, e esteja presente o poder de vossa majestade.»

Após estas orações, um acólito coloca no turíbulo alguns carvões do fogo bento. O celebrante, tendo lançado incenso sobre estes carvões, incensa o fogo e os grãos de incenso, após tê-los primeiro aspergido com água benta. Outro acólito acende uma vela com os carvões do fogo novo; é por esta vela que a luz nova será introduzida na Igreja.

O Círio Pascal

O círio pascal, em sua majestosa simbologia, representa o próprio Cristo ressuscitado. Seu porte monumental — superior em tamanho e em peso a todos os outros círios usados durante o ano litúrgico — exprime a grandeza e a centralidade do Mistério da Ressurreição. Modelado como uma coluna, evoca ainda a coluna de fogo que guiou Israel na travessia do deserto.

Antes de ser aceso, ele simboliza o corpo de Cristo no sepulcro; depois, representa Cristo resplandecente na glória de sua Ressurreição. Esta dupla significação é ressaltada durante toda a cerimônia, que culmina quando o diácono, revestido com a dalmática branca, leva pela nave da igreja o caniço com três velas em sua extremidade — a chamada «serpentina» —, representando a Santíssima Trindade.

À medida que a procissão avança para o altar, o diácono se detém por três vezes, ajoelha-se e canta em voz cada vez mais alta: «Lumen Christi» (Luz de Cristo), ao que o povo responde: «Deo gratias» (Graças a Deus). A cada vez, uma das três velas é acesa, simbolizando como o conhecimento da Santíssima Trindade nos vem por Cristo, Luz do mundo: primeiramente é proclamada a divindade do Pai, depois a do Filho, e por fim a do Espírito Santo.

Chegando ao presbitério, o diácono prepara-se para cantar o Precônio Pascal, o solene anúncio da Páscoa. O círio pascal é então colocado em um grande candelabro, ornado e preparado com antecedência, para que possa brilhar durante toda a Vigília.

O canto do Exsultet

Exsultet, também conhecido como Præconium Paschale (Anúncio Pascal), é uma das mais sublimes composições da liturgia católica. Este hino, atribuído a Santo Agostinho e a Santo Ambrósio, é cantado pelo diácono enquanto abençoa o Círio Pascal.

Antes de iniciar este solene canto, o diácono pede a bênção do celebrante: «Jube, domne, benedicere»(Senhor, dignai-vos abençoar-me). O celebrante responde: «Dominus sit in corde tuo et in labiis tuis, ut digne et competenter annunties suum paschale præconium» (O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios, para que digna e competentemente anuncies seu pregão pascal).

O canto principia com um convite à exultação: «Exsultet jam angelica turba cælorum: exsultent divina mysteria: et pro tanti Regis victoria, tuba insonet salutaris» (Exulte já a turba dos anjos no céu: exultem os divinos mistérios: e pela vitória de tão grande Rei, ressoe a trombeta da salvação). Em seguida, o diácono convida a terra a se alegrar e a Igreja a se adornar com os raios de tão grande luz, enchendo-se de júbilo pela conversão dos povos.

Prossegue com um solene prefácio consecratório, convocando todos os presentes a elevarem seus corações a Deus (Sursum corda), agradecendo ao Pai onipotente pela vitória de seu Divino Filho.

No meio do Exsultet, o diácono interrompe seu canto para fixar os cinco grãos de incenso no círio pascal. Dispostos em forma de cruz, eles representam as cinco chagas gloriosas de Cristo Ressuscitado. O diácono os fixa e, em seguida, acende o círio com o fogo novo, dizendo: «Portanto, pela graça desta noite, aceita, santo Pai, o sacrifício vespertino deste incenso: que a Igreja sacrossanta te oferece solenemente nesta oblação do Círio, pelas mãos dos ministros, a partir do trabalho das abelhas. Mas já conhecemos os louvores desta coluna, que o fogo brilhante acendeu em honra a Deus.»

A parte central do Exsultet é uma sublime reflexão teológica sobre o mistério da queda e da redenção. Contém a célebre exclamação: «O felix culpa, quæ talem ac tantum meruit habere Redemptorem!» (Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!). Esta expressão, longe de glorificar o pecado, celebra a infinita misericórdia divina, que transformou a tragédia do pecado original em ocasião de uma redenção ainda mais maravilhosa.

O hino exalta a noite santa, «que conheceu a hora em que Cristo ressuscitou dos mortos», e que é «a noite da qual está escrito: a noite será iluminada como o dia, e a noite será a minha luz nas minhas delícias».

Conclui-se com uma súplica para que Deus aceite o sacrifício do círio pascal, para que ele continue a brilhar e a dissipar as trevas da noite, e para que a estrela da manhã o encontre ainda aceso — «aquela estrela da manhã que não conhece ocaso, Cristo, vosso Filho, que voltando do abismo, brilhou sereno para o gênero humano».

Exsultet constitui, assim, um verdadeiro compêndio teológico do mistério da ressurreição, cantado de forma extremamente poética e solene — um dos momentos mais emocionantes de toda a liturgia católica.

As XII Profecias

Após o Exsultet, seguem-se as doze leituras proféticas. O número doze possui profundo simbolismo: representa as doze tribos de Israel, os doze Apóstolos e a plenitude da revelação. Trata-se de uma recapitulação da história sagrada, do Gênese ao tempo dos Profetas, mostrando como toda a história da salvação converge para a Ressurreição de Cristo.

Cada profecia é seguida de uma oração que explica seu sentido espiritual e sua relação com a Páscoa. Por vezes, entre a profecia e a oração, canta-se um Tractus que desenvolve o tema da leitura. Antes de cada oração, o diácono convida o povo a ajoelhar-se: «Flectamus genua» (Dobremos os joelhos), e após um momento de silêncio, o subdiácono diz «Levate» (Levantai-vos).

Note-se que muitas destas profecias possuem um profundo sentido batismal, pois acompanham a preparação dos catecúmenos para o sacramento que receberão nesta mesma noite. A água, em suas diversas manifestações ao longo da história sagrada — as águas primordiais da criação, as do dilúvio, as do Mar Vermelho, a fonte viva de que fala Isaías —, prefigura as águas batismais nas quais o homem velho morre e o homem novo emerge para a vida em Cristo.

Primeira profecia (Gênesis I, 1-31; II, 1-2)

A primeira profecia relata o Hexaemeron (Ἑξαήμερος), a obra da criação em seis dias. «No princípio, Deus criou o céu e a terra.» Esta leitura evoca o primeiro dia da primeira criação, enquanto a Vigília celebra o primeiro dia da nova criação, inaugurada pela ressurreição de Cristo. É também uma meditação sobre a bondade original da criação: «E Deus viu tudo o que tinha feito, e era muito bom.»

O simbolismo batismal já se insinua nesta primeira leitura: assim como o Espírito pairava sobre as águas no início da criação, o mesmo Espírito desce agora sobre as águas batismais para uma nova criação em Cristo. A luz que Deus cria no primeiro dia prefigura Cristo, «Luz do mundo», que ressuscita nesta noite santa.

Segunda profecia (Gênesis V–VIII)

A segunda profecia narra o dilúvio e a história de Noé. As águas que purificam a terra do pecado e a arca que salva Noé e sua família constituem figuras eloquentes do batismo. A arca representa a Igreja, fora da qual não há salvação; a pomba que traz o ramo de oliveira, sinal de reconciliação com Deus, prefigura o Espírito Santo que desce sobre os batizados e lhes traz a graça e a paz de Cristo.

Terceira profecia (Gênesis XXII)

A terceira profecia relata o sacrifício de Isaac. Abraão, disposto a sacrificar seu filho único, prefigura o Pai celeste entregando seu Filho unigênito pela salvação do mundo. Isaac, carregando a lenha do próprio sacrifício, é figura de Cristo carregando sua cruz. A substituição de Isaac por um carneiro representa a morte de Cristo em nosso lugar.

Este episódio contém uma tríplice tipologia: Cristo é ao mesmo tempo o Filho oferecido, o sacerdote que oferece e a vítima que é oferecida. O monte Mória, onde se desenrola a cena, é tradicionalmente identificado como o próprio local onde mais tarde se ergueria o Calvário.

Quarta profecia (Êxodo XIV–XV)

A quarta profecia narra a passagem do Mar Vermelho — principal figura escriturística do batismo. O povo de Israel, escravizado no Egito (símbolo do pecado), atravessa as águas do mar e é libertado de seus perseguidores, como o catecúmeno, atravessando as águas batismais, é libertado do domínio do demônio. O faraó e seu exército, afogados no mar, simbolizam o pecado e as potências infernais, vencidos pelo batismo. Moisés, conduzindo o povo através do mar, é figura de Cristo e da Igreja, que conduzem os fiéis pelas águas da regeneração.

Esta leitura é seguida do Cântico de Moisés, um dos mais antigos textos poéticos da Bíblia, celebrando a vitória de Deus sobre os inimigos de Israel: «Cantemos ao Senhor, porque se cobriu de glória: precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro.»

Quinta profecia (Isaías LIV–LV)

A quinta profecia, do profeta Isaías, contém o célebre convite: «Vós todos que tendes sede, vinde às águas.» A Igreja aplica este convite aos catecúmenos que se aproximam da fonte batismal.

O profeta desenvolve a imagem da aliança conjugal entre Deus e seu povo — «Teu esposo é aquele que te criou» —, imagem que será retomada no Novo Testamento para expressar a relação entre Cristo e a Igreja. Anuncia também uma aliança universal: «As nações que não te conheciam correrão para ti» — prenúncio da Igreja católica, aberta a todos os povos e a todas as nações.

Sexta profecia (Baruc III)

A sexta profecia, do livro de Baruc, é uma meditação sobre a sabedoria divina. O profeta deplora o abandono da sabedoria por parte de Israel, que levou ao castigo do exílio; em seguida, afirma que essa sabedoria, que nenhum homem pode encontrar por suas próprias forças, foi dada por Deus a Israel através da Lei.

A passagem culmina com estas palavras: «Depois disso, ela apareceu sobre a terra e conversou com os homens.» A tradição cristã aplica estas palavras à encarnação do Verbo, Sabedoria eterna de Deus, que se fez homem e habitou entre nós.

Sétima profecia (Ezequiel XXXVII)

A sétima profecia contém a célebre visão dos ossos ressequidos que voltam à vida. O profeta Ezequiel, durante o exílio em Babilônia, vê um vale cheio de ossos secos. Por ordem de Deus, profetiza sobre esses ossos, que se recobrem de nervos, carne e pele, e nos quais entra um espírito de vida.

Se no sentido literal esta visão simboliza a restauração de Israel após o exílio, na liturgia do Sábado Santo ela é aplicada à ressurreição de Cristo e à ressurreição espiritual dos batizados. Os ossos ressequidos representam a humanidade morta pelo pecado; o espírito que os vivifica é o Espírito Santo, que dá vida nova aos que renascem pela água e pelo Espírito.

Oitava profecia (Isaías IV)

A oitava profecia anuncia a purificação e a renovação de Jerusalém. Após um juízo purificador, o Senhor «criará sobre toda a extensão do monte Sião e sobre o lugar de suas assembleias uma nuvem de dia e um fogo flamejante de noite».

A nuvem e o fogo evocam a presença protetora de Deus no êxodo; aqui, simbolizam a proteção divina sobre a Igreja. A profecia fala também de um «abrigo» que protegerá do calor, da chuva e das tempestades — figura da Igreja, refúgio seguro contra as tempestades do mundo.

Nona profecia (Êxodo XII)

A nona profecia descreve a instituição da Páscoa judaica. O Senhor prescreve a Moisés e Aarão os ritos da imolação do cordeiro pascal, cujo sangue, marcando as portas das casas dos hebreus, os protegerá contra o anjo exterminador.

O cordeiro pascal é a principal figura de Cristo, «nosso Cordeiro pascal», como o chama São Paulo. Seu sangue, que protege os hebreus da morte, prefigura o sangue de Cristo que nos livra da morte eterna. A maneira de comer o cordeiro — às pressas, com as vestes cingidas, os pés calçados e o bastão na mão — simboliza a atitude do cristão neste mundo, sempre pronto para a partida.

Décima profecia (Jonas III)

A décima profecia relata a pregação de Jonas em Nínive e a conversão dos ninivitas. Jonas, resistente à missão que Deus lhe confia, acaba por obedecer e pregar em Nínive, anunciando a destruição da cidade em quarenta dias. Os ninivitas, do rei ao último dos cidadãos, fazem penitência, e Deus revoga o castigo.

Jonas, saindo do ventre do peixe depois de três dias, é figura de Cristo ressuscitando do sepulcro. A conversão dos ninivitas simboliza a conversão dos pagãos à pregação apostólica. Os quarenta dias de pregação evocam os quarenta dias da Quaresma.

Undécima profecia (Deuteronômio XXXI)

A undécima profecia contém as últimas instruções de Moisés ao povo de Israel antes de sua morte. Moisés prevê a infidelidade futura do povo, sua teimosia, e ordena que a Lei seja lida publicamente a cada sete anos, para que todos a conheçam e a observem.

É significativo notar que Moisés representa a Lei Antiga, que deve conduzir a Cristo; mas é Josué (Yehoshua em hebraico — nome idêntico a «Jesus») quem introduz o povo na Terra Prometida, assim como é Jesus quem nos introduz no Reino dos Céus.

A profecia é seguida do cântico de Moisés, que celebra a fidelidade de Deus apesar das infidelidades de seu povo: «Céus, escutai o que vou dizer, a terra ouça as palavras de minha boca.»

Duodécima e última profecia (Daniel III)

A última profecia narra o episódio dos três jovens na fornalha. Nabucodonosor, rei de Babilônia, manda erguer uma estátua de ouro e ordena que todos se prostrem diante dela. Três jovens judeus — Sidrac, Misac e Abdênago — recusam-se a adorar a estátua e são lançados numa fornalha ardente. Mas o anjo do Senhor desce com eles na fornalha e os preserva das chamas.

Este relato é figura eloquente do batismo, que nos livra do fogo eterno, e também do martírio cristão. Os três jovens, recusando-se a prestar culto aos ídolos mesmo sob pena de morte, são modelo para os catecúmenos, que renunciam a Satanás e a todas as suas obras. A fornalha ardente, que deveria destruí-los mas se torna para eles lugar de refrigério, simboliza as provações deste mundo, que Deus transforma em bênçãos para seus eleitos.

Singularmente, a oração após esta profecia não é precedida do convite à genuflexão. Esta omissão intencional marca a recusa de nos prostrarmos diante dos ídolos, como fizeram os pagãos em Babilônia.

A solene bênção da Água Batismal

Após as doze profecias, os ministros se dirigem ao batistério. O Círio Pascal, representando a coluna luminosa que guiou Israel através das sombras da noite para o Mar Vermelho, avança à frente do cortejo. Seguem-se os catecúmenos, tendo à sua direita, os homens seu padrinho, as mulheres sua madrinha — pois é sob a apresentação de um cristão de seu sexo que cada um é admitido à regeneração. Dois acólitos trazem, um o santo Crisma, o outro o Óleo dos Catecúmenos; e atrás do clero, o celebrante avança ladeado de seus ministros.

Repetem-se as estrofes do Salmo XLI, no qual Davi, suspirando por seu Deus, compara seu ardor ao do cervo que aspira à água da fonte.

Chegando ao batistério, o celebrante pronuncia a oração: «Deus todo-poderoso e eterno, olhai favoravelmente a devoção deste povo que vai receber um novo nascimento, e aspira, como o cervo, à fonte de vossas águas salutares; dignai-vos fazer com que a sede que lhe inspira sua fé santifique as almas e os corpos, no mistério sagrado do Batismo. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.»

A bênção da água para o batismo é de instituição apostólica, como nos atestam os maiores doutores: São Cipriano, Santo Ambrósio, São Cirilo de Jerusalém e São Basílio. É justo que esta água, instrumento da mais divina das maravilhas, seja cercada de tudo o que pode glorificar a Deus, que se dignou associá-la a seus desígnios de misericórdia sobre a humanidade.

A prece de bênção que o celebrante pronuncia nos remete ao berço de nossa fé, pela nobreza e energia de seu estilo, pela autoridade de sua linguagem e pelos ritos antigos de que é acompanhada. Ela está no modo soleníssimo de Prefácio consecratório e possui a melodia dos panegíricos imperiais romanos.

O celebrante inicia com uma oração, após a qual se associa o entusiasmo da santa Igreja Romana. Então se detém um momento, e, mergulhando sua mão na água, divide-a em forma de cruz — mostrando por este sinal que é pela virtude da Cruz que as águas adquiriram o poder de regenerar as almas. Até a morte de Cristo na cruz, este poder maravilhoso lhes era apenas prometido; foi preciso a efusão do sangue divino para que lhes fosse conferido.

Após as palavras em que pede a Deus que se digne afastar das águas a influência dos espíritos malignos, o celebrante estende a mão sobre elas e as toca: o caráter augusto do sacerdote é fonte de santificação, e o contato de sua mão consagrada opera já por si só sobre as criaturas, quando se exerce em virtude do sacerdócio de Jesus Cristo.

Pronunciando as palavras seguintes, abençoa por três vezes as águas da fonte, produzindo sobre elas o sinal da cruz: «Eu te abençoo, portanto, criatura de água, pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus santo; pelo Deus que, no princípio, te separou da terra com uma só palavra, e cujo Espírito pairava sobre ti.»

Em seguida, divide novamente a água com sua mão e a espalha para os quatro cantos do mundo — rito que evoca os quatro rios do Paraíso e a universalidade da pregação batismal —, proferindo: «Pelo Deus que te fez jorrar da fonte do Paraíso, e te dividiu em quatro rios, ordenando-te que regasses toda a terra; que no deserto tirou tua amargura, e restituindo-te a doçura, te tornou potável, e mais tarde te fez sair da pedra para apaziguar a sede de seu povo. Eu te abençoo também por Jesus Cristo, seu Filho único, nosso Senhor, que, em Caná da Galileia, por um sinal admirável de seu poder, te mudou em vinho; que caminhou sobre ti a pé seco; que foi batizado em ti por João, no Jordão; que te fez sair, com o sangue, de seu lado aberto; e que ordenou a seus discípulos de batizar em ti os que cressem, dizendo-lhes: Ide, ensinai todas as nações, e batizai-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.»

Neste momento, o celebrante suspende o modo triunfante do Prefácio e prossegue num tom mais simples. Após marcar as águas com o sinal da cruz, invoca sobre elas a ação fecundante do Espírito Santo. O Espírito Santo tem um nome que significa «Sopro» em grego (πνεῦμα); Ele é o sopro divino, aquele vento violento que se fez ouvir no Cenáculo. O celebrante exprime este divino caráter da terceira Pessoa, soprando três vezes sobre as águas da fonte em forma de cruz.

Toma, em seguida, o Círio Pascal e o mergulha na água três vezes, elevando a voz gradativamente a cada imersão: «Que a virtude do Espírito Santo desça sobre toda a água desta fonte.» Este rito exprime o mistério do batismo de Cristo no Jordão, no dia em que as águas receberam os prenúncios de seu divino poder. O Filho de Deus havia descido no rio, e o Espírito Santo repousava sobre sua cabeça em forma de pomba. Hoje, não são mais apenas prenúncios: a água recebe verdadeiramente a virtude prometida, pela ação de Cristo e do Divino Espírito Santo.

É por isso que o celebrante, retomando o tom do Prefácio, exclama ao mergulhar na água o Círio Pascal — símbolo de Cristo, sobre o qual plana o divino Paráclito: «Que a virtude do Espírito Santo desça sobre toda a água desta fonte.» Retira o Círio da água e o mergulha mais profundamente, repetindo em tom mais elevado a mesma invocação. Retirado de novo, mergulha-o uma terceira vez até o fundo da pia, cantando em voz ainda mais potente. Desta vez, antes de retirar o Círio da água, o celebrante se inclina sobre a fonte; e, para unir em símbolo visível a potência do Espírito Santo à virtude de Cristo, faz uma nova insuflação sobre as águas, não mais em forma de cruz, mas traçando com seu sopro a letra grega Ψ (psi), primeira letra da palavra «Espírito» (ψυχή) nesta língua. Retoma então a solene prece: «Que ela dê a fecundidade a esta água, e a torne capaz de regenerar» — ou seja, de animar com uma nova vida aqueles sobre quem for derramada.

Retirado o Círio Pascal da fonte, o celebrante conclui sua grande oração. Depois que o povo responde Amém, um dos assistentes asperge a assembleia com a água da fonte, enquanto outro vem mergulhar nela um vaso, retirando-o cheio desta água destinada ao serviço da igreja e à aspersão das casas dos fiéis.

Finalmente, o celebrante verte na fonte o Óleo dos Catecúmenos: «Que esta fonte seja santificada e fecundada pelo Óleo da salvação, para dar a vida eterna àqueles que renascerem de seu seio. Amém.» Depois, derrama o Santo Crisma: «Que a infusão do Crisma de nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo Consolador se faça em nome da santa Trindade. Amém.» Enfim, tomando ao mesmo tempo o Crisma com a mão direita e o Óleo dos Catecúmenos com a mão esquerda, derrama de ambos os frascos juntos sobre as águas: «Que a mistura do Crisma de santificação e do Óleo da unção com a Água batismal se faça, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.» Após estas palavras, mistura com a mão os Santos Óleos sobre a superfície da água, para que ela participe inteiramente deste último grau de santificação.

O Batismo

Após a bênção da água, procede-se ao solene rito do batismo dos catecúmenos, que já passaram pela primeira metade do rito antes da Vigília. O celebrante, revestido de paramentos brancos, procede à profissão de fé dos catecúmenos. Feita a profissão, batiza o catecúmeno realizando a tripla infusão da água enquanto pronuncia as palavras sacramentais: «Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.»

Após o batismo, o neófito recebe a unção do santo crisma sobre a cabeça, símbolo do sacerdócio real em que participam todos os cristãos. Em seguida, recebe a veste branca — símbolo da pureza batismal — e uma vela acesa no círio pascal, símbolo da luz de Cristo.

A Ladainha dos Santos e a Prostração

Após o batismo, a procissão retorna ao altar para a celebração da Missa. Dois cantores entoam a Ladainha dos Santos, enquanto o celebrante, com o diácono e o subdiácono, se prostram diante do altar.

A Ladainha tem, neste contexto, um sentido profundamente pascal: exprime a comunhão dos santos — a Igreja triunfante no céu, a Igreja padecente no purgatório e a Igreja militante na terra — em sua participação da graça da ressurreição. Os santos, que já participam plenamente da Ressurreição de Cristo, intercedem pela Igreja terrestre, particularmente pelos neófitos que acabam de receber o batismo.

A prostração do celebrante e dos ministros diante do altar é um dos gestos mais impressionantes da liturgia. Simboliza a morte mística: o homem velho que deve morrer para dar lugar ao homem novo. Como Cristo esteve três dias no sepulcro antes de ressuscitar, assim o sacerdote permanece prostrado, significando seu aniquilamento e abandono completo nas mãos de Deus. Na liturgia da Vigília Pascal, este gesto evoca de maneira particular a sepultura de Cristo e prepara o grande momento da celebração da Ressurreição.

A Missa da Vigília Pascal

Terminada a Ladainha e levantando-se o celebrante com seus ministros da prostração, começa a Missa da Vigília Pascal. Esta Missa possui características especiais que revelam sua grande antiguidade.

Não há Introito, pois esta parte da Missa só foi introduzida na liturgia romana por volta do século V. Após as ladainhas, o celebrante sobe ao altar e entoa solenemente o «Gloria in excelsis Deo», momento em que se rompem todos os sinais de luto: os sinos voltam a tocar, o órgão ressoa e o altar se cobre de flores. As imagens, que ainda estavam veladas, são descobertas, manifestando a glória de Cristo em seus santos.

A Epístola, de São Paulo aos Colossenses (III, 1-4), exorta-nos a «buscar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus». Esta leitura nos ensina que a vida cristã é simultaneamente morte e ressurreição em Jesus Cristo: morte à natureza corrompida e ressurreição pela graça. O fiel, ressuscitado com Cristo, deve nutrir gostos e desejos celestiais.

Durante longos séculos, o Alleluia foi tão próprio da solenidade pascal que, em Roma, no tempo de Sozomeno, era considerada uma maldição desejar que alguém não pudesse ouvir o canto aleluiático na futura festa de Páscoa. Santo Agostinho testemunha que em seu tempo repetia-se o Alleluia durante os cinquenta dias até Pentecostes. Após a Epístola, o celebrante entoa solenemente o Alleluia, que não foi cantado durante toda a Quaresma.

O Evangelho, extraído de São Mateus (XXVIII, 1-7), narra a visita das santas mulheres ao sepulcro do Senhor ao amanhecer do domingo. Estas piedosas discípulas, não se importando com a cólera do Sinédrio nem com os soldados que guardavam o túmulo, dirigem-se corajosamente ao sepulcro para completar o embalsamamento do corpo de Jesus, que havia sido apressado na tarde da Parasceve devido à proximidade do repouso sabático. Encontram a pedra removida e, ao entrarem, ouvem de um anjo que o Crucificado ressuscitou. Não se levam castiçais ao Evangelho, pois o próprio Círio Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado, ilumina a leitura.

Após a Comunhão, celebra-se o Ofício de Vésperas dentro da própria Missa. Canta-se então apenas o Salmo CXVI, o mais breve do Saltério, que, em Roma, era entoado em todas as vigílias dominicais: «Laudate Dominum omnes gentes» (Louvai o Senhor, todas as nações). Este salmo é acompanhado pela tripla antífona «Alleluia, alleluia, alleluia», expressando a alegria pascal que agora transborda. Segue-se o Magnificat, com a antífona: «Vespere autem sabbati, quæ lucescit in prima sabbati, venit Maria Magdalene et altera Maria videre sepulcrum, alleluia» (Na tarde do sábado, quando já amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro, aleluia).

Durante o Magnificat, o altar é incensado como nas Vésperas solenes, completando assim o ciclo que começou com a incensação do Círio Pascal e do livro durante o Exsultet.

A Missa termina com a oração «Spiritum nobis, Domine, tuæ caritatis infunde» (Infundi em nós, Senhor, o Espírito de tua caridade), que pede que o Espírito Santo, o amor divino, produza a concórdia entre os que foram nutridos pelos sacramentos pascais. O diácono despede o povo com um duplo Alleluia«Ite missa est, alleluia, alleluia», ao que o coro responde: «Deo gratias, alleluia, alleluia».

Conclusão

O Sábado Santo no rito tradicional, com sua riqueza teológica, seu simbolismo profundo e suas cerimônias majestosas, constitui um verdadeiro tesouro espiritual para a Igreja.

Do silêncio do sepulcro ao canto do Alleluia, a liturgia deste dia percorre um arco admirável: parte do Ofício de Trevas, em que a Igreja vela junto ao corpo inanimado de seu Esposo, atravessa o longo desfile das profecias que recapitulam toda a história da salvação, mergulha nas águas batismais de onde emergem os novos filhos de Deus, e desemboca, enfim, na explosão de alegria da Missa Pascal. Cada elemento — a bênção do fogo novo, a preparação e bênção do círio, o canto do Exsultet, as doze profecias, a bênção da água batismal, a administração do batismo, a Ladainha dos Santos com a prostração e a Missa — forma um conjunto harmonioso que exprime admiravelmente o mistério central da fé cristã: a passagem da morte à vida por Cristo e em Cristo.

Na aridez do mundo moderno, a liturgia tradicional do Sábado Santo conserva em toda sua integridade o patrimônio espiritual da fé católica, oferecendo aos fiéis uma verdadeira fonte de graças e de meditação. A Vigília Pascal é, como dizia Santo Agostinho, «a mãe de todas as vigílias santas» — o ápice do ano litúrgico, pois nela celebramos o evento que dá sentido a toda a nossa fé: a ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fontes

INTROIBO.FR. Commentaires liturgiques du Samedi Saint
Dom Guéranger, L’Année Liturgique
Bhx Cardinal Schuster, Liber Sacramentorum
Dom Pius Parsch, Le Guide dans l’année liturgiqu

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O Antoniano