Exortação para o dia das mães
Pe. Marcos Vinícius Mattke, IBP
Brasília-DF, 10 de maio de 2026 A.D.
Caríssimas mães,
Não podemos deixar passar este dia sem erguer os olhos para a mais sublime das maternidades, a maternidade divina e virginal de Maria Santíssima e, à sua luz, contemplar a grandeza da sua vocação. Pois toda mãe cristã, pelo só fato de ser mãe, é chamada a ser, na ordem da graça, um reflexo daquela Mulher única que pisou a cabeça da serpente e gerou para o mundo o Salvador.
E aqui, minhas caras, abre-se diante de nós o mistério de uma força que o mundo não compreende nem pode compreender. O Espírito Santo, pelo hagiógrafo, lança aquela pergunta que atravessa os tempos: Mulierem fortem quis inveniet? Procul, et de ultimis finibus pretium eius, “Mulher forte, quem a achará? De longe, e dos confins da terra, vem o seu valor” (Pr. XXXI, 10). Pergunta cuja resposta, segundo a antiga tradição de nossa Santa Romana Igreja, encontra-se primeiramente em Maria, e, em seguida, em todas aquelas que, à sua imagem, abraçaram com caridade o sacrifício oculto e quotidiano da maternidade cristã.
Pois é preciso dizê-lo com clareza: a maternidade, vivida segundo o Evangelho, é uma forma de martírio incruento. As vigílias silenciosas junto ao berço, as enfermidades veladas com paciência, as renúncias que ninguém vê, as lágrimas derramadas a sós quando os filhos se afastam ou caem, as longas orações pela conversão de uma alma que vos foi confiada, tudo isto compõe um sacrifício diário, um holocausto agradável a Deus, que se prolonga pela vida inteira e que poucas almas no mundo são capazes de oferecer com tanta constância. Não se iludam, minhas caras mães: este sofrimento não é estéril. Ele é precioso, é fecundo, é redentor, quando, pela fé, vocês se unem àquela Mãe que Nosso Senhor, do alto da Cruz, nos deu por testamento em São João: Ecce mater tua, “Eis aí tua mãe” (Jo. XIX, 27).
Aos pés daquela Cruz onde se consumou nossa redenção, nossa Mãe das Dores, estava de pé, stabat Mater, não prostrada, não desfalecida, mas firme, oferecendo o seu sacrifício e o sacrifício de seu Divino Filho, com Cristo, por Cristo e no próprio Cristo, sendo nossa Corredentora. É este o lugar de toda mãe cristã: de pé, junto à Cruz dos seus filhos, oferecendo, suplicando, esperando contra toda esperança. E é deste posto, e somente deste, que se cumpre em vós a antiga promessa do Gênesis: Ipsa conteret caput tuum, “Ela esmagará tua cabeça” (Gn. III, 15). Quantas vezes, minhas caras, é precisamente pela oração e pelo sofrimento de uma mãe que a serpente é afastada da alma de um filho! Quantos jovens não foram arrebatados das garras do mundo, do demônio e da carne pelas lágrimas silenciosas de quem os gerou! Santa Mônica chorou vinte anos por Santo Agostinho, e ganhou para a Igreja um Doutor. Não se desesperem, pois, ainda que os seus lhes pareçam distantes, o coração de uma mãe que reza não é jamais derrotado.
E qual é, então, o fruto que pedimos a Deus para seus filhos neste dia? Que permaneçam, à imagem de São João, puros e firmes ao pé da Cruz. Puros, porque sem a pureza não se vê a Deus, nem se permanece junto à Cruz na hora da provação; firmes, porque o tempo presente exige católicos que não fujam quando os outros fogem, que não se envergonhem do Crucificado quando o mundo o despreza. Esta firmeza, meus caros, ninguém a comunica como uma mãe. O sacerdote ensina, o catecismo instrui, mas é no colo materno que se aprende, antes de tudo, a amar a Cristo e a temer a ofensa de Deus.
Ora, para gerarem filhos assim, é necessário que sejam vocês mesmas intrépidas defensoras do Corpo Místico de Cristo, à maneira da bem-aventurada Judite. Aquela mulher, sozinha, salvou seu povo quando todos os homens haviam desfalecido ou acovardado. E recebeu este louvor, que nossa Santa Madre Igreja aplica também à Imaculada e que podemos aplicar, em sua medida, a toda mãe cristã verdadeiramente forte: Tu gloria Ierusalem, tu laetitia Israel, tu honorificentia populi nostri, quia fecisti viriliter, et confortatum est cor tuum, “Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo, porque procedeste virilmente e o teu coração foi valente” (Jud. XV, 10). Notem bem, minhas caras: fecisti viriliter, agiu virilmente. Não há aqui contradição com a vossa maternidade; pelo contrário: a verdadeira mulher cristã possui uma virilidade interior, uma fortaleza de alma, uma coragem moral que não se deixa abater nem pelos sarcasmos do mundo, nem pelos desencantos da vida, nem pelas seduções do espírito do século.
E o admirável, no plano da graça, é que esta fortaleza não destrói a doçura, antes a perfaz. Maria Santíssima é a um tempo terribilis ut castrorum acies ordinata e doce como a aurora que desponta. Eis o retrato que dela faz o Cântico dos Cânticos, e que a tradição inteira da Santa Igreja aplica à Mãe de Deus e nossa: Quae est ista quae progreditur quasi aurora consurgens, pulchra ut luna, electa ut sol, terribilis ut castrorum acies ordinata?, “Quem é esta que avança como a aurora que desponta, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?” (Ct. VI, 10). Aurora, lua, sol, exército ordenado, eis quatro imagens em que se unem, sem se contradizerem, a delicadeza e a força, a beleza e o combate, a ternura e a invencibilidade.
Eis, minhas caras, o programa que Nosso Senhor lhes entrega pelas mãos de sua Mãe: serem mulheres em quem se reflitam, de modo proporcional mas verdadeiro, todos esses traços. Doces sem fraqueza, fortes sem dureza, belas com a beleza interior da graça, e terríveis para o inferno pelo zelo com que defendem seus filhos e a Santa Romana Igreja.
Que Maria Santíssima, Mater pulchrae dilectionis, Mãe do formoso amor, lhes abençoe, lhes console, lhes sustente, e faça resplandecer em cada uma de vocês o reflexo de sua maternidade Imaculada.
Deus abençoe.
Feliz Dia das Mães!


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